Oráculo de Clio
Coletânea
Aroldo Historiador/ Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem
Sumário:
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CULTURA ORGANIZACIONAL
A cultura é o que dá identidade ao homem, interfere em seu caráter, molda suas crenças e explica o mundo.
Empresa é uma organização baseada em normas, visa a dominação do mercado por meio de vendas de bens e serviços, para esse fim é necessário ajustar-se aos stakeholders, ou seja; as pessoas mais envolvidas ou interessadas na organização: clientes, acionistas, governo, funcionários, fornecedores, associações, concorrência, sindicatos, etc.
Em toda organização existem códigos informais que ratificam ou anulam os regulamentos, algumas leis são burladas, e isso pode comprometer o andamento da própria empresa.
Criou-se então a cultura organizacional que tenta ajustar as manifestações de cultura, já que é difícil modificar o núcleo de crenças e pressupostos básicos, dentro das organizações.
Os problemas importantes são:
1-NÍVEIS: a cultura organizacional existe em uma variedade de níveis diferentes, refere-se tanto às crenças e pressupostos, ao funcionar interno, quanto à forma como a organização encara os problemas do ambiente externo.
2-INFILTRAÇÃO: relacionamentos, crenças, ponto de vista sobre os produto, as estruturas, os sistemas, a meta, formas de recrutamento, socialização e recompensas.
3-IMPLÍCITO: modificar coisas implícitas do pensamento e do comportamento das pessoas.
4-IMPRESSO: raízes históricas têm grande peso na administração presente e futura das organizações.
5- POLÍTICO: conexão entre cultura organizacional e a distribuição de poder na empresa. Grupos que têm seu poder relacionado à crenças e pressupostos.
6-PLURALIDADE: diferentes sub-culturas, mais de uma cultura organizacional dentro da mesma empresa.
7-INTERDEPENDÊNCIA: a cultura está conectada a: política, estrutura, sistemas, pessoas e prioridades.
Aroldo Historiador
Trabalho de Sociologia na faculdade de Administração Empresarial em 2006. Esta foi a minha parte. Na época toda a equipe tirou 10.
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OBRAS DE ARTE
Para se falar em arte primeiro temos que perguntar o que é arte. Responder a esta pergunta não é fácil. Lembramos que não há nenhuma definição satisfatória a respeito. Para uma análise profunda, primeiro vamos quebrar o conceito de belas-artes e artes mecênicas.
Imagine a arte como fruto natural daquilo que é vivo, por exemplo: O pensamento, que nos permite prever perigos ocultos e criar um aprimoramento dos recursos naturais para podermos viver mais e melhor.
Arte é o próprio movimento da vida, e artista não é o humano que se esconde da estética vazia ou apenas o conteudista sem técnica, por assim dizer. A arte não carece intenção cognitiva e sim vida. A arte é a história oculta de tudo o que é vivo.
As divisões de Platão em judicativas e dispositivas, de Aristóteles em Práxis e Poesis, de Plotino em artes naturais, de fabricação e humanas e de Varrão em artes liberais e servis, são ilegítimas. Por que uma arte seria mais importante que outra, se elas se completam?
Por que as artes mecânicas seriam piores ou melhores que as belas-artes quando suprem carências distintas? Por que a arte erudita seria sublime e a popular não? E por que o artista de belas-artes seria um ser diferente dos demais, se todos os seres vivos são os reais artistas?
O artista não tem poder algum, porque poder não existe. Não é divino, pois não existe divindade. A inspiração dos deuses é uma grande farsa, pois o misticismo é uma arapuca mental de controle social, desde o início das civilizações.
As religiões não criaram a arte, mas as artes criaram as religiões, ciências, o senso comum, e tudo o mais em que os seres vivos mexeram virou arte.
Voltando-se para nós humanos, a arte sempre foi uma incógnita, há inúmeras divisões sobre os tipos de arte, por exemplo: Platão divide as artes em judicativas, voltadas para o conhecimento e dispositivas, atividade sobre determinadas regras.
Para Platão, poetas, pintores e escultores desrespeitam os deuses por pregarem a paixão humana. Já a música e a dança formariam melhor o caráter das crianças e adolescentes. Via a Gramática, estratégia, Aritmética, Geometria e Astronomia como fundamentais na formação de guerreiros e também filósofos, que deveriam aprender uma arte a mais, a dialética.
Aristóteles faz a distinção entre práxis, ou artes possíveis: politica, ética, ciências e filosofia; e poiesis, ou arte-técnica: todos os outros tipos de arte que envolvam alguma técnica; como as belas-artes. Também supervaloriza a música, que purificaria a alma, para ele.
Plotino conceitua as arte naturais: medicina e agricultura. Artes de fabricação: artesanato. E artes humanas: música e retórica.
A visão de Varrão no século II, que se estende até o século XV, é de artes liberais: Gramática, retórica, lógica, Aritmética, Geometria, Astronomia e música. E de artes servis: medicina, arquitetura, agricultura, pintura, escultura, olaria e tecelagem.
No século XX se dá a reparação entre arte erudita: tecnológica. E popular: artesanal. Sendo a arte entendida como expressão da verdade e não da beleza. Tem-se outros pontos de vista sobre a arte: como de cunho social, expressiva e como trabalho ou filosófica ( quando volta-se para a natureza, o homem e a função da própria arte).
Para Nietszche, a arte era um jogo de exaltação da vida, que a estimulava em êxtase. Já Kant e Hegel defendem a ideia da arte como pedagogia, assim como Aristóteles e Platão.
Muitos defendem a arte como libertação: no teatro, Brechet e Augusto Boal; na poesia, Maikóviski, Pablo Neruda, Ferreira Gullar e José Paes; no romance, Sartre e Graciliano Ramos; no cinema, Einsestein, Chaplin e no cinema novo brasileiro; na pintura, Picasso e Portinari; na música, a música de protesto e a MPB dos anos 60 e 70, com Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Velozo, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Milton Nascimento, dentre outros.
As belas-artes serviam à religião, tendo relação íntima com o "sagrado". O artista eraum mago. O médico e o astrólogo eram artesãos. Arquitetos, pintores e escultores eram iniciados num ofício sagrado. Todos esses conheciam mistérios sobre gestos, cores, instrumentos e ervas e é como se recebessem "dons" dos deuses e para os deuses.
Hoje, com a era dos meios de comunicação, as artes se banalizam em prol do entretenimento sem conteúdo. Entretanto, a arte em si não é algo bom ou mau. As belas-artes servem ao poder desde longa data mas também servem ao povo, quando informam, por exemplo: através de uma crônica jornalística, uma visão apurada da realidade política ou por meio de uma poesia que escancara as falcatruas sociais escondidas.
Essa espécie de aura sobre os "artistas" perdura, mas temos que encará-los como pessoas comuns. Todos nós somos capazes de produzir poesia, música, cinema, pintura, escultura, fotografia, entre outras coisas, de modos diferentes. Não há nenhum "dom" port trás da arte, uma vez que dom não existe, e sim, trabalho árduo, pelo menos os artistas que produzem obras "eternas" trabalham duro.
Aroldo Historiador
Resumo crítico sobre texto "Universo das artes", de Marilena Chauí entregue como trabalho de faculdade de História em 2009.
Fonte:
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USO DA TECNOLOGIA EM SALA DE AULA
Blogs, sites, e-mails, msns, jogos eletrônicos, clipes, filmes, jornais on-line, câmeras digitais, fóruns virtuais e sites de relacionamentos são do avanço tecnológico que tendem a se aprimorar cada vez mais e podem ser usados como mecanismo de incremento para a melhoria do ensino.
Cabe ao professor e à gestão escolar se adaptarem a essa tendência tecnológica mundial que quebra tabus e derruba preconceitos, como o uso de quadrinhos em sala de aula que de uns tempos pra cá vem sendo adotado de forma interdisciplinar, embora visto com maus olhos por alguns de pensamento mais arcaico.
Muitos têm medo da tecnologia como se ela mordesse e por isso resistem a ela, enxergando a escola como um local de duro trabalho intelectual sem diversão ou ligação com a realidade, como se no prédio-escola a educação reinasse desvinculada do mundo, mergulhando, assim, numa mentalidade arcaica, com saudades daquela escola que aplicava a palmatória, onde o estudante era obrigado a decorar, mais do que hoje em dia, milhares de informações inúteis, que outrora talvez servisse para algum concurso, quando muito e que hoje serve para o vestibular.
O vestibular em si é a maior prova de como a escola pode ser inútil em vários aspectos da vida do estudante e acaba não prestando o serviço a que se propõe, uma vez que são cobradas informações inúteis para o mercado de trabalho e mesmo para o dia a dia.
Cada vez mais surgem cursinhos como um meio de mover mais ainda essa indústria do vestibular; o grande pesadelo de muitos jovens.
Não são só as grandes reformas educacionais que melhoram a educação. Quando o professor se empenha para absorver outros conhecimentos, adaptando-se ao que está ao seu redor e recria o modo de lecionar em função dos novos aprendizados, ele torna a escola um local de conhecimento, ao invés de um mero local de informações.
Acontece que tem muito profissional que não se aprimora por falta de competência pedagógica ou simplesmente por falta de compromisso, pois nem todos que se prestam a encarar uma sala de aula estão ali por acreditar no que fazem como uma maneira de melhorar a sociedades em que estão inseridos e sim para ter um emprego; seja por falta de condições de acesso a outros cursos acadêmicos, quando estes fazem algum, pois muitos assumem o magistério sem nunca frequentar bancos universitários, ou seja; porque não conseguem empregos melhores.
Se estes não aprenderem a gostar de seu ofício estarão fadados a deixar em atraso os educandos, tantos quando passarem por suas mãos.
Apesar de agentes da educação incompetentes e inabilitados, surgem novas propostas que dão resultado visível; como experiências relatadas na “TV Escola”, nos programas “Salto para o futuro” e “Sala de professores”, que mostram experiências de educadores que melhoraram o rendimento escolar a partir da criação de blogs comunitários; no caso específico aqui, na disciplina de Inglês, em que os estudantes entravam em contato com outros blogueiros de Estados distintos, alguns deles professores, e trocavam conhecimentos.
Os blogs também são usados no Rio de Janeiro como um meio de aprender francês com ajuda do programa “Br@nchè” da “TV Escola”, pois o Brasil promove um programa anual de intercâmbio-cultural com a França, chamado de “Ano do Brasil na França” no primeiro semestre e “Ano da França no Brasil”, no segundo. No evento acontecem estudos de costumes para maior aproximação do dois países por intermédio da escola.
Para falarmos de como utilizar a tecnologia como auxiliar da educação expressa em sala de aula um texto apenas não será o suficiente, por este motivo, nos prenderemos aqui à utilização do blog como um aspecto de incremento da escola que pode muito bem virar instrumento de trabalho quando o estudante entrar para o mercado como um profissional numa área que exija, além do crescimento pessoal que causa mexer com essa tecnologia fácil, barata e de repercussão planetária.
Por que criar um blog na escola, isso é mesmo importante? No que ajuda ao estudante esse aprendizado? E no que ajuda ao professor mexer com esse tipo de tecnologia?
Para começo de conversa, a Web, como é chamado a navegação na internet, é uma das maiores revoluções a nível de apreensão de conteúdo desde a criação da biblioteca da Babilônia.
Podemos nos orgulhar de estarmos bem mais próximos de criar uma “Enciclopédia”, a obra pretensa dos iluministas, do que em qualquer outra época da História.
O sonho de juntar todo o conhecimento do mundo em um só lugar já não é mais um sonho apenas, virou realidade, ou pelo menos, uma coisa bem mais viável com os utensílios tecnológicos de hoje em dia.
Existe uma enciclopédia virtual chamada “Wikipédia”, que tem, na Web, a mesma proporção de erros e acertos de uma enciclopédia impressa, com o diferencial da constante atualização.
Criar blogs pode ser o primeiro contato do educando com a Web ou mesmo com o computador. Uma vantagem a médio prazo é que ele aprenderá a digitar, pois muitos não podem frequentar um curso de computação, ficando um pouco mais aptos para o mercado de trabalho.
Para tanto, é preciso criar uma conta no provedor, que, por sua vez, pede uma conta de e-mail. Lembremos que, com a exclusão digital, que os administradores chamam de “apartheid-digital”, muitos dos seus educandos não terão e-mails; então, ensine-os a criar!
Como criar um blog? Primeiro, procure um bom provedor em que a postagem de textos, vídeos e imagens seja fácil de mudar, mas não se preocupe que o próprio Google virou provedor de blogs e sites pequenos e gratuitos em que pode ser usado o mesmo login, ou perfil, do “Orkut”.
Basta logar-se no próprio Google e depois ir em “Mais” na barra de tarefas, em seguida vá em “Muito mais”, a seguir, dê um clique em “Blogger”.
Feito isso, haverá a opção “criar um novo blog”, que terá o link, ou endereço na Web, internet: https//:www.onomeescolhido.blogspot.com
Pronto, está criado. É só postar em “Nova postagem”, depois de escolhida a cor do blog. Mais o que é um blog mesmo?
Blog é um pequeno site pessoal que pode ser usado por você para postar fotos, textos e vídeos que poderão ser vistos por internautas no mundo inteiro, assim haja computador com internet.
Atualmente, os jornalistas dos EUA estão usando muito o blog para criar matérias que serão impressas no dia seguinte e até como jornal virtual, porque com essa última crise econômica, muitos jornais faliram e abandonaram sua versão impressa para virarem apenas on-line, pelas equipes de redação desempregadas na esperança de uma possível volta do antigo emprego.
No Brasil, muitos jornais como o “Folha de São Paulo”, “Diário do Nordeste” e “O Povo” co-existem no impresso e virtual, assim como é o caso de alguns jornais comunitários feito o “Folha do Norte” de Minas Gerais e o “Jornal Delfos-CE” de Pacoti-Ceará.
Atualmente, como o “Jornal Delfos-CE” noticiou, alguns blogs brasileiros foram premiados internacionalmente como melhores blogs da América Latina, dentre os autores se encontram uma jornalista e um publicitário.
Além de aprender a pesquisar na Web, digitar e poder interagir com blogueiros do mundo todo, o blogueiro ainda pode ser premiado se mostrar uma boa proposta e aprende a lidar com uma ferramenta de baixo custo e alta repercussão que pode ajudá-lo profissionalmente, caso venha a ser jornalista, escritor, publicitário, marqueteiro, vendedor ou professor, pois criar e alimentar blogs é uma competência que será cobrada pelo mercado de trabalho, sendo, desta forma, um modo de tornar a educação escolar um pouco mais prática e útil para a vida do educando.
O blog ainda pode ser usado para mostrar o complemento da disciplina que não deu tempo ser visto em sala de aula e para tirar dúvidas dos estudantes através de comentários na página ou recebida diretamente em seu e-mail através do perfil que você utilizou para criá-lo.
Você ainda pode mostrar links de sites e blogs que desejar direcionados diretamente através de seu blog no item “acrescentar um gadgest” e se gostarem do seu blog, ele terá seguidores. Você ainda pode anexar um contador pra ter noção de quantas vezes a página foi visitada.
Uma dica simples para tornar seu blog visivelmente mais agradável é postar uma imagem para cada texto, pois isso chama a atenção da garotada de hoje que está acostumada a ver muita imagem na “TV”.
Inovar tecnologicamente no ensino-aprendizagem vale a pena por que dá resultado a curto, médio e longo prazo, ajudando a não apenas valorizar como a criar conhecimentos que se tornarão habilidades extra-escolares, o que servirá para o melhor ingresso do estudante no mercado de trabalho, atendendo ao mesmo tempo a uma exigência dessa última LDB, Lei 9.394/96, e que não está sendo cumprida por muitos na educação, que é a valorização das habilidades extra-escolares.
Afinal de contas, a educação escolar não existe como um ato de ensinar apenas conhecimentos e valores da escola para a escola e para o vestibular e sim para criar cidadão que terão melhores chances de se manter NA VIDA REAL.
Por trás da muralha escolar existe um grande mercado cruel que exige novas habilidades, e saber lidar com tecnologia é a principal exigência na maior parte dos setores e nas atividades empregatícias que outrora não existiam.
Criar um blog em sala de aula pode ser o primeiro passo para que os educandos de hoje aprendam a caminhar por conta própria, com passos longos e firmes para a vida dentro e fora da escola e da universidade.
Aroldo Historiador
Um dos trabalhos da faculdade de História em 2010, onde tirei 10 com uma grande parabenização da professora por escrito e muitos elogios. Também tirei 10 na pós-graduação em várias disciplinas diferentes.
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MÉTODO DELFOS
As principais técnicas para um administrador "prever" o futuro são:
1. Análise de séries temporais
2. Projeções derivadas
3. Relações causais
4. Pesquisas de opinião e atitudes
5. Método Delfos
1. Análise de séries temporais: consiste em identificar os dados que se repetiram no passado em determinado período, por meio de gráficos. Assim, faz-se projeções, por exemplo: mês em que há mais casamentos, nascimentos ou vendas de veículos.
É possível fazer projeções para 10 anos tomando por base a década passada, podendo-se afirmar qual será o gosto musical de tal país, distribuição de religiões ou composições etárias. Como muitas projeções não se confirmam, esse não é o mais indicado.
2. Projeções derivadas: consiste em identificar associações entre duas variáveis, como aumento de renda populacional e elevação na venda de alguns produtos, acidentes de trânsito e as horas do dia e regiões.
Serve para planejamento sobre policiamento nas ruas, feiras de móveis ou produtos que devem ser expostos num supermercado.
3. Relações causais: consiste em identificar regularidades de comportamento, ou o que provoca determinado acontecimento. Põe exemplo: a cada 10 clientes que adentram a loja 2 compram.
Pode o gerente de vendas, portanto, planejar 10 contatos para efetuar 2 vendas.
4. Pesquisas de opinião e atitudes: consiste em identificar tendências do presente e fazer projeções por meio de indicadores de julgamento. Têm alta probabilidade de acerto.
Como exemplo, a pesquisa eleitoral.
5. Método Delfos: Pesquisa de opinião com um grupo de especialistas num determinado assunto em que são realizadas várias rodadas. A cada nova rodada eles são informados do resultado anterior.
É usado com bastante frequência para previsões tecnológicas.
Esse método se chama Delfos em homenagem à cidade onde ficava o oráculo de Apolo, deus sol da mitologia grega, que tinha por característica prever o futuro. Por essa razão, o santuário da cidade de Delfos era o mais visitado.
Aroldo Historiador
Trabalho da faculdade de Administração em 2007
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EFEITO DOPPLER
Um trem parado tocando sua sineta faz ondas sonoras elípticas perfeitas, mas tocando a mesma sineta em movimento as ondas se contraem e se esticam.
Esse efeito para a luz também é válido. As ondas contraídas formam o tom azul e as esticadas formam a cor vermelha. Quanto mais longe está uma estrela ou uma galáxia mais avermelhada é sua cor.
Mas, para perto não se percebe o efeito doppler. isso prova que o Universo está em expansão para aqueles que acreditam no big-bang; chamado por Carl Sagan de "mito moderno da ciência".
No big-bang toda a matéria do Cosmo estaria condensada em algo menor que a cabeça de um alfinete, até que um dia explodiu e não parou mais de crescer. Mas, nem todos os cosmólogos acreditam nessa teoria; nem no buraco de minhoca.
Não se sabe se o Universo é aberto ou fechado, finito ou infinito, ou mesmo se é Universo ou Multiverso.
Outra questão difícil para nós é a quarta dimensão, não dá para explicar isso de forma compreensível e se acrescentarmos outras dimensões fica duplamente complexa a questão para cada uma que se acrescenta. Será que essas dimensões existem mesmo? Como provar?
Aroldo Historiador
28/01/2009
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RESENHA DO TEXTO: “COTIDIANO E VIDA PRIVADA” DE LEILA MEZAN ALGRANTI
O casamento na prática era realizado mais pela elite, existiam famílias de todos os tipos, como: filhos naturais e ilegítimos criados juntos, ou agregados, padres com concubinas e afilhadas, comerciantes solteiros com caixeiros, etc.
A MORADA COLONIAL E OS ESPAÇO DE INTIMIDADE:
Nos três primeiros séculos de colonização, as casas de vilas e cidades eram simples e pobres. Sobrados e vivendas surgem já no século XIX para a elite. A economia era agrícola. As moradas urbanas eram mais parecidas em relação às da zona rural.
Quintais, jardins, pomares, hortos, entre outros anexos eram comuns tanto a ricos quanto a pobres da cidade e do campo. Criavam-se porcos e aves em galinheiros e curais. Os anexos de muitos eram casas de farinha, moenda e depósitos de utensílios e alimentos.
A hospitalidade vira característica do Brasil colonial, entretanto, os viajantes passavam a chuva ou à noite em geral nos alpendres; local onde eram realizadas as refeições nas casas mais amplas.
OS INTERIORES DAS CASAS; EM BUSCA DE UMA INTIMIDADE:
As casas de pobres tinham apenas um ou dois cômodos, enquanto as dos mais endinheirados dispunham de mais aposentos.
As casas pobres não tinham chaminé, o chão era lamacento e tudo enegrecido de fuligem, por não haver janelas.
As casas ricas variavam muito de tamanho e forma. Os sobrados tinham dois ou mais andares. Existiam casas com duas cozinhas, uma limpa outra suja. No Brasil as cozinhas sempre foram ficando do lado externo da casa, o que mais tarde serviu para dividir espaços entre escravos e senhores.
Os ambientes domésticos e os mobiliários eram precários. Dormia-se em redes, camas eram raras. Era comum sentar-se no chão.
No séc. XIX as famílias mais abastadas de Recife, Bahia e Rio de Janeiro, graças a seus portos, tiveram cortinas melhores, lustres e armários (para substituir os baús, caixas e cabides de chifres).
SOCIABILIDADE E COSTUMES DOMÉSTICOS
FORMAS DE SOCIABILIDADE NO AMBIENTE DOMÉSTICO:
Nos primeiros séculos a forma de se socializar eram nas festas religiosas e festas de homenagem a autoridades eclesiásticas, civis ou reais. Os lares eram praticamente feitos para repouso da população.
O advento dos candeeiros foi responsável por maior interação entre membros da própria família e amigos, por ser possível serões e reuniões noturnas com jogos (xadrez, gamão, baralho) e visitas. Depois surgem óperas e teatros.
COSTUMES DOMÉSTICOS:
O abastecimento precário perdurou muitos séculos pela distância muito grande da metrópole. As índias ensinavam a socar milho, construir redes, preparar mandioca e moldar barro nos primeiros tempos.
Às mulheres cabia a maior parte dos afazeres domésticos, e eram acusadas de costumes judaicos, pois realmente eram em suma cristãs-novas. Mesmo os sacerdotes dispunham do toque feminino, disfarçando amantes como afilhadas.
A farinha de mandioca foi por muitos séculos o principal alimento dos colonos. Já no Brasil holandês, Recife e Maurícia e mesmo entre a população rural comia-se toucinho, manteiga, azeite, vinho espanhol, aguardente, peixe seco, bacalhau, trigo, carne salgada, favas, ervilhas, cevada e feijões, tudo mantido pela Holanda.
A família se reunia por volta do meio-dia à mesa e não se recebia visita nesse horário. Três refeições eram realizadas, com a ceia mais frutal. Os horários variavam. Lavavam-se as mãos antes e depois as refeições, e os pés antes de dormir. A sesta era realizada de norte a sul.
Morria-se muito por falta de médicos e remédios, testamentos eram muito comuns. As mulheres, ajudadas por curandeiros e mucamas mais experientes ministravam remédios caseiros, a contra-gosto da Inquisição. Surgiam daí os purgantes, recomendados para tudo.
TRABALHO E Relações PESSOAIS NO INTERIOR DO DOMICÍLIO:
O adultério e concubinato eram freqüentes e o nascimento de filhos ilegítimos era muito grande. Devido à falta de mulheres brancas os colonos se uniam com índias em mancebias e tinham filhos com escravas, embora casados com brancas.
Existem livros de registro ou “cadernos de assento” em que os fazendeiros anotavam tudo o que gastavam com compras, educação dos filhos, etc. os negócios eram ministrados pelo homem da casa.
TRABALHO E ATIVIDADES NO INTERIOR DO DOMICÍLIO:
No litoral nordestino produzia-se lavoura açucareira, em meados do século XVI, o preconceito com o trabalho manual nasce por que a escravidão negra se espalha por toda a Colônia.
Algumas localidades se especializavam na fabricação de tecido e exportavam para outras. O pau-brasil com urina fixava melhor a cor. A fabricação de cerâmicas é aprendida dos índios.
Fabricava-se sabão com cinzas de vegetais queimados para compor sebo e gorduras vegetais. Vassouras piaçaba não faltavam.
Só em meados do século XVIII há um gosto maior pelo conforto, para morar e receber bem os amigos, nas famílias mais ricas.
Referências bibliográficas: SOUZA, Laura de Mello e. História da vida privada no Brasil: cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.v.1.
PLANO DE AULA:
· Assunto: A vida privada no Brasil colônia
· Objetivo: Expor a vida cotidiana do Brasil no período colonial
· Material didático utilizado: Texto.
· Modo de abordagem: Aula expositiva.
· Avaliação: uso de palavras-chave. Pedir aos estudantes que relatem sobre essas palavras em relação ao texto.
1ª palavra-chave: sobrados
2ª palavra-chave: candeeiro
3ª palavra-chave: hospitalidade
4ª palavra-chave: remédios
5ª Palavra-chave: mulheres brancas
6ª Palavra-chave: anexos
7ª Palavra-chave: monoparental
8ª Palavra-chave: fidelidade
9ª Palavra-chave: grande família
10ª Palavra-chave: cristão-novo
Aroldo Historiador
2009
TEXTO COMPLEMENTAR:
Família na colônia, um conceito elástico
A multiplicidade da organização familiar no período surpreende os que associam o patriarcalismo a uma estrutura monolítica.
por: Mary del Priore
Empregado do governo com sua família no Brasil colonial todo mundo tem família e ela é a mais velha instituição da sociedade. Mas, se formos examinar nossa história, veremos que, diferentemente de uma família ideal, congelada em padrões, tivemos, em nosso passado, famílias, no plural. E que diferentes tipos se constituíram, ao sabor de conjunturas econômicas ou culturais.
O europeu trouxe para o Novo Mundo uma maneira particular de organizar a família. Esse modelo, constituído por pai e mãe "casados perante a Igreja", correspondia aos ideais definidos pelo catolicismo. Apenas dentro desse modelo seria possível educar os filhos, movimentando uma correia de transmissão pela qual passariam, de geração em geração, os valores do Ocidente cristão.
Mas será que o europeu conseguiu impor esse tipo de família ao Novo Mundo? Para Gilberto Freyre, a família rural foi o mais importante fator de colonização. Ela era a unidade produtiva que abria espaços na mata, instalava fazendas, comprava escravos, bois e instrumentos. Agia de forma mais eficiente para o desbravamento da terra do que qualquer companhia de comércio.
Já Sérgio Buarque de Holanda observou que a família prevalecia como centro de todas as organizações. Os escravos, juntamente com parentes e empregados, dilatavam o círculo no qual o senhor de engenho era o todo-poderoso pater familias.
Para os dois autores, a soma da tradição patriarcal portuguesa com a colonização agrária e escravista resultou no chamado patriarcalismo brasileiro. Tanto no interior quanto no litoral, ele garantia a união entre parentes, a obediência dos escravos e a influência política de um grupo familiar sobre os demais.
Uma grande família impunha sua lei e ordem nos domínios que lhe pertenciam. O chefe cuidava dos negócios e tinha absoluta autoridade sobre a mulher, filhos, escravos, empregados e agregados.
Essa autoridade se estendia também a parentes, filhos ilegítimos ou os de criação, afilhados. Sua influência era enorme e se estendia, muitas vezes, aos vizinhos. Havia uma relação de dependência e solidariedade entre seus membros.
Embora se reconheça a importância desse modelo, outros tipos de família vicejavam na mesma época: famílias pequenas de solteiros e viúvos, de mães e filhos vivendo sem pais. Entre as camadas mais pobres, eram comuns as ligações consensuais, sobretudo nas áreas de passagem, urbanização acelerada ou mineração.
Importante: viver numa família na qual faltava a bênção do padre não queria dizer viver na precariedade. Tais ligações, então chamadas de concubinárias, podiam ser, e eram, muito estáveis. Havia consenso entre os companheiros.Havia divisão de papéis e partilha de tarefas. O que era precário era sua situação material.
Mas a estima, o respeito e a solidariedade eram características que se encontravam tanto num tipo de família quanto no outro. Assim como as tensões ou violências, também presentes em ambas. Mas vamos ao começo. Quando teve início a colonização, não havia mulheres europeias por aqui. Uma das soluções foi a de juntar-se às índias. Muitas delas se entregavam aos brancos, pois os índios consideravam normal a poligamia.
Os tupis, por exemplo, tinham o hábito de oferecer uma mulher a todo o estranho que fosse viver entre eles. Homens como João Ramalho adotaram muitos dos seus usos e costumes. Aprenderam a plantar milho, a fazer uso do tabaco de fumo e a dormir em redes fiadas pelas companheiras.
As crianças nascidas desses amancebamentos eram chamadas curibocas, na língua tupi. Para os brancos, eram mamelucos. É bom não esquecer alguns aspectos importantes da vida indígena. O casamento era proibido entre mãe e filho, filho e irmã, pai e filha.
Eles seguiam regras bem simples: desejando se unir, os homens se dirigiam a uma mulher e perguntavam sobre sua vontade de casar. Se a resposta fosse positiva, pedia-se permissão do pai ou parente mais próximo.
Dada a permissão, os "noivos" se consideravam "casados". Não havia cerimônias e, se ficassem fartos do convívio, consideravam a relação desfeita. Ambos podiam procurar novos parceiros. Normalmente, os índios tratavam bem suas companheiras. Protegiam-nas, andavam junto com elas dentro e fora da aldeia, e, se o inimigo aparecesse, lutavam, dando chance a elas de escapar. Quando os casais brigavam, podiam espancar-se mutuamente, sem interferência de terceiros.
O adultério feminino causava grande horror. O homem enganado podia repudiar, expulsar e mesmo matar a mulher que tivesse cometido essa falta. Quando as mulheres engravidavam na relação extraconjugal, a criança era enterrada viva e a adúltera trucidada.
Havia uma grande liberdade sexual antes do casamento. As moças podiam manter relações com rapazes índios ou europeus, sem que isso lhes provocasse desonra.Posteriormente, casavam-se sem nenhum constrangimento.
As africanas, por sua vez, vieram engrossar as "uniões à moda da terra". Os portugueses já estavam familiarizados com elas, pois, desde o século XV, eram enviadas para Portugal. Trabalhando como escravas, em serviços domésticos e artesanais, acabavam se amancebando ou casando com eles.
No Brasil, as coisas não foram diferentes. Daí as famílias de mestiços e mulatos. Da mesma maneira que as uniões de brancos com índias, ou de brancos pobres, as de brancos, mulatos e negros também não pressupunham o casamento oficial. As pessoas se escolhiam por que se gostavam, passando a morar juntas e a ter filhos.
O fato de no Brasil colonial as cidades serem distantes umas das outras fazia com que a maioria das pessoas morasse "pelos sertões ou matos". Elas, também, tinham dificuldade em cumprir os preceitos da religião. Em sua maioria viviam juntas, antes mesmo de casar. Era o chamado "despensorio de futuro", isto é, uma união tendo em mente um futuro casamento.
Para alguns homens, engravidar a companheira era importante, pois permitia avaliar se ela lhe daria muitos filhos. Como a maioria vivia na roça, os filhos ajudavam na lavoura. Mas se eventualmente não se importavam com a virgindade, os homens ligavam muito para a fidelidade da companheira.
Quando se sentiam traídos era comum ameaçar e espancar suas mulheres. Mas elas davam o troco. Abandonadas, não hesitavam em tentar envenená-los ou pediam ajuda aos irmãos e parentes para aplicar-lhes uma boa surra.Graças às grandes ondas migratórias, alguns centros urbanos ficavam com mais mulheres do que homens.
Elas cuidavam do pequeno comércio, da lavoura, da plantação e dos animais domésticos. Algumas, mais abastadas, eram fazendeiras, comerciantes de escravos e de tropas. Enfim, trabalhando em casa ou na rua, ajudavam na sobrevivência de suas famílias e eram membros destacados da economia informal que existia então.
A vida de mulheres sozinhas com filhos e dependentes se consolidava no que, hoje, chamamos de lares monoparentais. Alguns deles incluíam escravos. Outros, parentes ou "agregados". Longe de serem sinônimos de fragilidade social, tais famílias permitiam às matriarcas traçar agendas extremamente positivas: casavam filhos interferindo na escolha do cônjuge, controlavam o dinheiro com que cada membro colaborava para o domicílio, punham em funcionamento redes de solidariedade, agiam em grupo, quando tinham seus interesses contrariados.
E os escravos? A Igreja Católica não só permitia que se casassem como defendia esse direito, inclusive com pessoas livres. Os senhores mais ricos costumavam casar seus escravos no mesmo dia em que batizavam as crianças nascidas no engenho. Assim, chamava-se um padre que realizava as duas cerimônias e depois havia uma "função": festa ao som de batuques, violas e atabaques.
O trabalho na lavoura, a época de colheita ou de moagem da cana serviam para que homens e mulheres se encontrassem. De maneira geral, nas grandes fazendas, havia mais homens do que mulheres nas senzalas. A escolha da companheira muitas vezes causava disputas violentas, ameaças e até mortes.
Os escravos preferiam unir-se com companheiras da mesma origem étnica. Chama-se a esse fenômeno endogamia. Escravos de origem nagô se casavam com nagô; os de origem hauçá, com hauçá, e assim por diante. Essa escolha, ditada por afinidades culturais e religiosas, permitia ao casal organizar seu mundo com os mesmos hábitos e tradições da sua região de origem na África.
Nas cidades, as uniões entre homens e mulheres escravos, ou entre escravos, alforriados ou livres, também eram correntes. Aí também prevalecia o padrão endogâmico de casamento. A família escrava apoiava-se numa forma de solidariedade muito forte: a espiritual. Escolhendo para padrinhos ou madrinhas de seus filhos amigos ou companheiros de trabalho ou de etnia, os descendentes de africanos formavam um tipo de família em que os laços com a tradição africana eram muito importantes.
Os padrinhos e madrinhas ficavam encarregados de proteger e ajudar o afilhado até o final da vida, servindo para forjar uma rede de informações das diversas "nações", que fazia circular as notícias sobre os familiares vendidos a proprietários diferentes.
Havia sempre a possibilidade de reencontrar irmãos, pais e mães ou outros parentes. A família senhorial apresentava algumas características também encontradas no restante da sociedade. Elas podiam ser extensas - englobando familiares e agregados, parentes, filhos bastardos e concubinas. Ou podiam ser monoparentais.Essas eram em geral lideradas por viúvas que viviam com seus filhos e irmãos ou irmãs solteiras.
Em ambos os casos, eram comuns as núpcias entre parentes próximos, primos e até meio-irmãos. Graças aos casamentos endogâmicos, as famílias senhoriais ampliavam sua área de influência, aumentando também as terras, escravos e bens.
O casamento com "gente igual" era altamente recomendável e poucos eram os jovens que rompiam com essa tradição. O dia-a-dia desses grupos transcorria em meio a grande número de pessoas. As mulheres pouco saíam de suas casas, empregando seu tempo em bordados e costuras, ou no preparo de doces, bolos e frutas em conservas. Eram chamadas de "minha senhora", pelos maridos.
Concluindo, não se pode falar em "família" no Brasil colonial, e sim em "famílias", no plural. Famílias que se metamorfosearam de acordo com as conjunturas múltiplas de seu tempo. Famílias que, hoje, ainda despertam grande interesse de pesquisadores e estudiosos.
Mary del Priore é historiadora, autora de História da família no Brasil colonial (Moderna), História do amor no Brasil (Contexto) e duas vezes ganhadora do prêmio Casa Grande & Senzala.
Fonte:
TÓPICOS:
1ª palavra-chave: sobrados = surgem já no século XIX para a elite. tinham dois ou mais andares.
2ª palavra-chave: candeeiro = maior interação entre membros da própria família e amigos, por ser possível serões e reuniões noturnas com jogos (xadrez, gamão, baralho) e visitas.
3ª palavra-chave: hospitalidade = os viajantes passavam a chuva ou à noite em geral nos alpendres
4ª palavra-chave: remédios = As mulheres, ajudadas por curandeiros e mucamas mais experientes ministravam remédios caseiros, a contra-gosto da Inquisição. Surgiam daí os purgantes, recomendados para tudo.
5ª Palavra-chave: mulheres brancas = Devido à falta de mulheres brancas os colonos se uniam com índias em mancebias e tinham filhos com escravas, embora casados com brancas. Até os padres eram amancebados com índias sob o pretexto de a apadrinharem.
6ª Palavra-chave: anexos = Os anexos de muitos eram casas de farinha, moenda e depósitos de utensílios e alimentos
7ª Palavra-chave: monoparental = unir-se com companheiras da mesma origem étnica. Escravos de origem nagô se casavam com nagô; os de origem hauçá, com hauçá, e assim por diante.
8ª Palavra-chave: fidelidade = Quando se sentiam traídos era comum ameaçar e espancar suas mulheres. Mas elas davam o troco. Abandonadas, não hesitavam em tentar envenená-los ou pediam ajuda aos irmãos e parentes para aplicar-lhes uma boa surra.
Entro os índios o adultério feminino causava grande horror. O homem enganado podia repudiar, expulsar e mesmo matar a mulher que tivesse cometido essa falta. Quando as mulheres engravidavam na relação extraconjugal, a criança era enterrada viva e a adúltera trucidada.
9ª Palavra-chave: grande família = Uma grande família impunha sua lei e ordem nos domínios que lhe pertenciam. O chefe cuidava dos negócios e tinha absoluta autoridade sobre a mulher, filhos, escravos, empregados e agregados.
Essa autoridade se estendia também a parentes, filhos ilegítimos ou os de criação, afilhados. Sua influência era enorme e se estendia, muitas vezes, aos vizinhos. Havia uma relação de dependência e solidariedade entre seus membros.
10ª Palavra-chave: cristão-novo = Às mulheres cabia a maior parte dos afazeres domésticos, e eram acusadas de costumes judaicos, pois realmente eram em suma cristãs-novas.
A farinha de mandioca foi por muitos séculos o principal alimento dos colonos. Já no Brasil holandês, Recife e Maurícia e mesmo entre a população rural comia-se toucinho, manteiga, azeite, vinho espanhol, aguardente, peixe seco, bacalhau, trigo, carne salgada, favas, ervilhas, cevada e feijões, tudo mantido pela Holanda.
Aroldo Historiador
2009
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7-A GUERRA DOS “BÁRBAROS” & MONTE E FEITOSA
A GUERRA DOS “BÁRBAROS”
A guerra dos bárbaros é uma confederação entre índios Jês ("Tapuias"): Baiacus, Icós, Anacés, Acriús, Jenipapos, Tremembés ("Canindés"), Quixelôs, Jaguaribaras, Arariús, Crateús, Janduins, etc,
Do final do séc XVII à segunda década do próximo, com mais de trinta anos durando essas batalhas a destruir tudo o que os invasores europeus construíam, nos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Piauí, Parnaíba e Ceará.
Combateram tropas vinda até de São Paulo com Matias Cardos, João Amaro Maciel, Domingos Jorge Velho, Fernão Carrilho, Manuel Alves de Morais Navarro e João de Barros Braga.
Combateram os europeus que a seu lado tinham até tribos inteiras dominadas e “amansadas”, escravos e criminosos que teriam suas penas perdoadas ou amenizadas.
MONTE E FEITOSA
Duas famílias chegadas ao Ceará em conflito, uma vinda de Alagoas, os Montes, a outra advinda de Sergipe. Por volta de 1710 a 1720 se envolveram em confronto, cometiam incêndios, assassinatos de índios e vaqueiros, saques, emboscadas e confronto aberto.
José Mendes Machado, interventor do Ceará, o Tubarão, tomou o partido dos Feitosa. Formou aliança com Francisco e Lourenço Feitosa para capturar Francisco Monte, no Crato (ou Cariri Novo), e saquearam, sequestrando mulheres e negros e assassinando.
Os Monte uniram-se aos índios Inhamuns e os Feitosa aos Jucás, Jenipapos e Cariús.
Manuel Francês, chefe da capitania interveio em 1725, quando a guerra se amenizou.
Ao que tudo indica, os Feitosa continuaram ricos e os Monte empobreceram. Mas os perdedores de fatos foram os indígenas que nada tinha a ver com a questão.
Aroldo Historiador
2009
Fontes:
ARAÚJO, Soraya Geronazzo. Quem tem medo dos bárbaros? Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, a. 4, n. 46, p. 64-67, jul. 2009.
BITTENCOURT, Circe (Org.). Dicionário de datas da História do Brasil. São Paulo: Editora Contexto, 2012.
GUERRA dos Bárbaros <https://www.editoracontexto.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/08/BrasilAntigo-809x499.gif>.
PIRES, Maria Idalina. Guerra dos Bárbaros – O terrível genocídio que a História oficial não conseguiu esconder. Disponível em: <https://www.editoracontexto.com.br/blog/guerra-dos-barbaros-o-terrivel-genocidio-que-a-historia-oficial-nao-conseguiu-esconder/>.
PUNTONI, Pedro. A Arte da Guerra no Brasil: tecnologia e estratégia militar na expansão da fronteira da América Portuguesa, 1550-1700. Novos Estudos, n. 53, p. 189-204, mar. 1999
SILVA, Kalina Vanderlei. Rumo ao sertão: a guerra dos bárbaros e a expansão do Brasil. Revista Continente, a. 9, p. 39-41, jul. 2009.
VERARDI, Cláudia Albuquerque. A Guerra dos bárbaros: índios tapuias versus colonizadores portugueses. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/>.
https://pib.socioambiental.org/pt/L%C3%ADnguas
Anexo:
"Dessas vilas partiram homens que, empurrados pela Coroa portuguesa e pela elite canavieira, fizeram guerra aos povos indígenas nos interiores daquelas capitanias, terminando por conquistar o sertão e ajudar na formação de uma nova sociedade colonial. (SILVA, 2009, p. 39).
A Guerra dos Bárbaros mais se aproximou de uma série heterogênea de conflitos entre índios e luso-brasileiros do que de um movimento unificado de resistência. Resultado de diversas situações criadas ao longo da segunda metade do século XVII, com o avanço da fronteira da pecuária e a necessidade de conquistar e “limpar” as terras para a criação de gado, esta série de conflitos envolveu vários grupos e sociedades indígenas contra moradores, soldados, missionários e agentes da coroa portuguesa. (PUNTONI, 1999, p. 196).
Em 1708, o governador de Pernambuco, Manoel de Sousa Tavares, teve mais uma prova de como era terrível guerrear contra eles. Em carta ao Conselho ultramarino – Órgão do governo responsável pelas colônias portuguesas -, relatou que os tapuias, não satisfeitos em destruir fazendas e matar seus moradores, invadir igrejas e derrubar as imagens sacras, eram capazes de atos cruéis e desumanos, como fizeram com o padre Amaro Barbosa, de quem arrancaram o coração! (ARAÚJO, 2009, p. 65).
Essa imagem reforçou os argumentos do conquistador de impetrar uma “guerra justa” para extirpar os “maus” costumes nativos, satisfazendo tanto as necessidades de utilização de mão de obra pelos colonos quanto à garantia aos missionários do sucesso na imposição da catequese. O resultado foi a criação de dispositivos legais que legitimavam uma guerra de extermínio. (PIRES, 2015, p. 3).
Em 1690, frei Manuel da Ressurreição, que ocupava interinamente o governo-geral do Brasil, decidiu adotar mudanças radicais na estratégia de guerra, para finalmente dar cabo dos tapuias nas capitanias do Norte. (ARAÚJO, 2009, p. 67).
Embora tenha tido uma longa duração, cerca de setenta anos, e tenha sido contemporânea à existência do quilombo dos Palmares, a Guerra dos Bárbaros pouco aparece na historiografia, sendo praticamente desconhecida. A omissão dessa guerra nos livros didáticos e os raros livros de estudiosos especialistas sobre o episódio revelam o desprezo dado ao tema da resistência indígena e do violento processo de conquista lusitano no sertão nordestino. (PIRES, 2015, p. 2)."
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